Português - Sintaxe (8)
Orações Subordinadas Adverbiais
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração principal. Dessa forma, pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc.
Quando desenvolvida, vem introduzida por qualquer uma das conjunções subordinativas (com exceção das integrantes).
Classifica-se de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz. Observe os exemplos abaixo:
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de minha vida.
(Adjunto Adverbial)
Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de minha vida.
(Oração Subordinada Adverbial)
(Adjunto Adverbial)
Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de minha vida.
(Oração Subordinada Adverbial)
No primeiro período, "naquele momento" é um adjunto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal "senti". No segundo período, esse papel é exercido pela oração "Quando vi a estátua", que é, portanto, uma oração subordinada adverbial temporal. Essa oração é desenvolvida, pois é introduzida por uma conjunção subordinativa (quando) e apresenta uma forma verbal do modo indicativo ("vi", do pretérito perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, obtendo-se: Ao ver a estátua, senti uma das maiores emoções de minha vida.
A oração em destaque é reduzida, pois apresenta uma das formas nominais do verbo ("ver" no infinitivo) e não é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma preposição ("a", combinada com o artigo "o").
Obs.: a classificação das orações subordinadas adverbiais é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração.
Circunstâncias Expressas pelas Orações Subordinadas Adverbiais
a) Causa
A ideia de causa está diretamente ligada àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do que se declara na oração principal. "É aquilo ou aquele que determina um acontecimento".
| Principal conjunção subordinativa causal: PORQUE |
Outras conjunções e locuções causais: como (sempre introduzido na oração anteposta à oração principal), pois, porquanto, pois que, já que, uma vez que, visto que, na medida em que.
Exemplos:
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve alternativa a não ser cancelá-lo.
Já que você não vai, eu também não vou.
Por ter muito conhecimento (= Porque/Como tem muito conhecimento), é sempre consultado. (Oração Reduzida de Infinitivo)
Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve alternativa a não ser cancelá-lo.
Já que você não vai, eu também não vou.
Por ter muito conhecimento (= Porque/Como tem muito conhecimento), é sempre consultado. (Oração Reduzida de Infinitivo)
b) Consequência
As orações subordinadas adverbiais consecutivas exprimem um fato que é consequência, que é efeito do que se declara na oração principal. São introduzidas pelas conjunções e locuções: que, de forma que, de sorte que, de modo que, de maneira que, tanto que, etc., e pelas estruturas tão... que, tal... que, tanto... que, tamanho... que.
| Principal conjunção subordinativa consecutiva: QUE (precedido de tal, tanto, tão, tamanho) |
Exemplos:
É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa dor.)
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou concretizando-os.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida de Infinitivo)
Sua fome era tanta que comeu com casca e tudo.
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou concretizando-os.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida de Infinitivo)
Sua fome era tanta que comeu com casca e tudo.
c) Condição
Condição é aquilo que se impõe como necessário para a realização ou não de um fato. As orações subordinadas adverbiais condicionais exprimem o que deve ou não ocorrer para que se realize ou deixe de se realizar o fato expresso na oração principal.
| Principal conjunção subordinativa condicional: SE |
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
Exemplos:
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, certamente o melhor time será campeão.
Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o contrato.
Caso você se case, convide-me para a festa.
Não saia sem que eu permita.
Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o contrato.
Caso você se case, convide-me para a festa.
Não saia sem que eu permita.
Conhecendo os alunos (= Se conhecesse os alunos), o professor não os teria punido. (Oração Reduzida de Gerúndio)
Circunstâncias Expressas pelas Orações Subordinadas Adverbiais (continuação)
d) Concessão
As orações subordinadas adverbiais concessivas indicam concessão às ações do verbo da oração principal, isto é, admitem uma contradição ou um fato inesperado. A ideia de concessão está diretamente ligada ao contraste, à quebra de expectativa.
| Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA |
Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locuções ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que, nem que, por mais que, por menos que, por muito que, por pouco que, por melhor que, por pior que. No meio jurídico, usam-se malgrado, ainda quando, inobstante, não obstante e em que pese.
Observe este exemplo: Só irei se ele for.
A oração acima expressa uma condição: o fato de "eu" ir só se realizará caso essa condição for satisfeita.
Compare agora com: Irei mesmo que ele não vá.
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial concessiva.
Observe outros exemplos:
Embora fizesse calor, levei agasalho.
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade da população continua à margem do mercado de consumo.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade da população continua à margem do mercado de consumo.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
e) Comparação
As orações subordinadas adverbiais comparativas estabelecem uma comparação com a ação indicada pelo verbo da oração principal.
| Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO |
Por Exemplo:
Utilizam-se com muita frequência as seguintes estruturas que formam o grau comparativo dos adjetivos e dos advérbios: tão... como (quanto), tanto... quanto (como) mais (do) que, menos (do) que, tal qual. Veja os exemplos:
Sua sensibilidade é tão afinada quanto a sua inteligência.
O orador foi mais brilhante do que profundo.
Saiba que:
É comum a omissão do verbo nas orações subordinadas adverbiais comparativas, quando se comparam ações idênticas.
No entanto, quando se comparam ações diferentes, isso não ocorre.
Por exemplo: Ela fala mais do que faz. (comparação do verbo falar e do verbo fazer).
Em construções como ''Agiu como se tudo estivesse resolvido'', considera-se 'como se' uma locução conjuntiva comparativa. Antigamente se exigia esse desdobramento, atualmente artificial: Agiu como agiria se tudo estivesse resolvido, e então teríamos uma oração a mais. |
Circunstâncias Expressas pelas Orações Subordinadas Adverbiais (continuação)
f) Conformidade
As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam ideia de conformidade, ou seja, exprimem uma regra, um modelo adotado para a execução do que se declara na oração principal.
| Principal conjunção subordinativa conformativa: CONFORME |
Outras conjunções conformativas: como, consoante e segundo (todas com o mesmo valor de conforme).
Exemplos:
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos iguais.
Segundo atesta recente relatório do Banco Mundial, o Brasil é o campeão mundial de má distribuição de renda.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos iguais.
Segundo atesta recente relatório do Banco Mundial, o Brasil é o campeão mundial de má distribuição de renda.
g) Finalidade
As orações subordinadas adverbiais finais indicam a intenção, a finalidade daquilo que se declara na oração principal.
| Principal locução conjuntiva subordinativa final: PARA QUE |
Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a locução conjuntiva a fim de que.
Por Exemplo:
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos.
Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada entrasse.
Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada entrasse.
h) Proporção
As orações subordinadas adverbiais proporcionais exprimem ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao expresso na oração principal.
| Principal locução conjuntiva subordinativa proporcional: À MEDIDA QUE |
Outras locuções conjuntivas proporcionais: à proporção que, ao passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior... (maior), quanto maior... (menor), quanto menor... (maior), quanto menor... (menor), quanto mais... (mais), quanto mais... (menos), quanto menos... (mais), quanto menos... (menos).
Exemplos:
À proporção que estudávamos, acertávamos mais questões.
Visito meus amigos à medida que eles me convidam.
Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
Lembre-se:
À medida que é uma conjunção que expressa ideia de proporção; portanto, pode ser substituída por "à proporção que".
Na medida em que exprime uma ideia de causa e equivale a "tendo em vista que" e só nesse sentido deve ser usada.
Por Exemplo:
Na medida em que exprime uma ideia de causa e equivale a "tendo em vista que" e só nesse sentido deve ser usada.
Por Exemplo:
Na medida em que não há provas contra esse homem, ele deve ser solto.
Atenção: não use as formas “à medida em que” ou “na medida que”.
i) Tempo
As orações subordinadas adverbiais temporais acrescentam uma ideia de tempo ao fato expresso na oração principal, podendo exprimir noções de simultaneidade, anterioridade ou posterioridade.
| Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO |
Outras conjunções subordinativas temporais: enquanto, apenas, mal e locuções conjuntivas: assim que, logo que, toda vez que, antes que, depois que, sempre que, desde que, até que, etc.
Exemplos:
Quando você foi embora, chegaram outros convidados.
Sempre que ele vem, ocorrem problemas.
Mal você saiu, ela chegou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando terminou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
Sempre que ele vem, ocorrem problemas.
Mal você saiu, ela chegou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando terminou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
Apesar de a NGB não fazer referência, há dois tipos de oração subordinada adverbial:
Orações subordinadas adverbiais locativas
Alguns autores admitem a existência de orações subordinadas adverbiais locativas, as quais estabelecem o local no qual dá-se a ação da oração principal. Contêm conjunções subordinativas adverbiais de lugar: "onde", para lugares estáticos, e "aonde", para transmitir ideia de movimento.
Exemplo 1: Moro onde não mora ninguém. (a NGB classifica essa oração como adjetiva, por subentender um antecedente de onde: no local onde não mora ninguém)
Exemplo 2: Eu estou onde você me deixou.
Exemplo 3: Não pode haver reflexão onde tudo é distração.
Exemplo 4: Permanecemos onde achamos mais adequado.
Orações subordinadas adverbiais modais
Alguns autores admitem a existência de orações subordinadas adverbiais modais, as quais estabelecem o modo como se realiza a ação da oração principal. Contêm a conjunção subordinativa adverbial de modo: "sem que". Também pode ser reduzida com o verbo no gerúndio ou infinitivo. Celso Pedro Luft aponta as modais desenvolvidas com as conjunções: como, bem como, qual, assim como. Rocha Lima afirma que por não existir conjunção modal, a circunstância de modo só se comporta na forma de oração reduzida.
Exemplo 1: O funcionário saiu sem que ninguém o visse.
Exemplo 2: Sempre me divertia pregando peças nos primos. (a NGB classifica essa oração como conformativa)
Exemplo 3: Caminhou sem fazer nenhum ruído.
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